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Sem religião, mas de muita fé

01/10/2011

(Foto: Rogério Uchôa )

O município de Trairão, no sudeste do Pará, é o décimo município onde existem mais pessoas sem religião no país, segundo o Censo 2000 do IBGE. Ao todo, são cerca de 12,5 milhões os brasileiros que têm uma relação diferente com a fé. Sem seguir diretrizes, avessos a dogmas e longe de instituições religiosas, eles creem em outras explicações para a existência humana. Alguns desconsideram a existência de Deus (ateus), outros acreditam que essa questão nunca será resolvida (agnósticos) e uma parcela aposta na presença de um poder superior sem definições (deístas), como é o caso da web designer Luciana Dantas. Oriunda de uma família cristã, mas que não frequentava assiduamente a igreja, Luciana sempre se considerara católica, mas após o término da adolescência percebeu que sua religiosidade não cabia nessa definição. “Eu nunca ia à igreja, não tinha nenhum objeto como terço, imagem ou bíblia em casa”.

Segundo o psicólogo Júlio Vétere, do centro de reabilitação Nova Vida, a fé é importante porque é através dela que o ser humano consegue forças para lidar com os problemas do dia a dia. “Com a fé a pessoa consegue fortalecer valores e conceitos importantes como o respeito ao próximo, o amor pela vida, autoestima e autoconhecimento”, frisa. De acordo com o último Censo, brasileiros sem religião representam hoje quase 8% da população, atrás em números apenas dos católicos e evangélicos.

MOVIMENTO

Em novembro de 2010, a vontade de reunir pessoas com interesses semelhantes e debater questões humanistas levou a universitária Abia Costa, 24 anos, a fundar a Aliança Estudantil Secularista no Pará, grupo que já existe em outras quatro universidades do Brasil e segue o modelo da associação americana de mesmo nome.

“Queremos mostrar que não precisamos de religião para sermos pessoas boas. E que o conhecimento é o caminho para combater o fundamentalismo e a intolerância no mundo”, explica Abia.

As reuniões acontecem duas vezes por mês e são focadas em estudos sobre temas de interesses e planejamento de atividades. Atualmente, eles contam com um cineclube, e pretendem ainda organizar palestras e até um documentário sobre o grupo na universidade. “O objetivo é ultrapassar os muros acadêmicos e ganhar também a sociedade, mostrando nossa visão alternativa, mas com cautela para não transformá-la também numa nova religião”, diz o estudante Riis Rhavia.

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