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A fé que move milhões

01/10/2011

(Foto: Adauto Rodrigues )

Todas as terças-feiras um compromisso é inadiável na casa Maria Nazaré Almeida: a ida à igreja, no bairro do Telégrafo, em Belém, para a novena de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Na bolsa, uma vela e um terço compõem as únicas exigências para a prática que já é feita há quase três décadas pela dona de casa.

“É algo que me faz bem. Saio daqui leve, sem o peso dos problemas e preocupações do dia a dia. É como se a benção de Deus caísse sobre mim”, explica. Nos minutos de oração, ela diz que não costuma fazer promessas, mas sempre pede pela proteção aos familiares e agradece pelas conquistas já alcançadas. “Hoje as pessoas já não valorizam tanto o contato com Deus e acabam se perdendo de seus objetivos, se desviam do caminho certo. Elas esquecem que a fé é quem nos conduz na trajetória correta”, afirma.

Assim como dona Nazaré, 125 milhões de pessoas, ou seja, mais de 70% da população, segundo o Censo 2000 do IBGE, fazem do Brasil o maior país do mundo em número de católicos.

Colonizado por uma nação católica, Portugal, o Brasil teve por muitos anos o catolicismo como religião oficial, o que só acabou com a proclamação da República. A imposição de uma só crença fez com que, ao longo do período colonial, as relações das ordens religiosas (franciscanos, jesuítas), carmelitas por exemplo) com as sociedades tribais, especialmente as indígenas, fossem complexas, porque envolviam a catequese e lutas por espaços de poder entre os próprios religiosos e as comunidades de colonos, explica o antropólogo Geraldo Mártires Coelho.

Séculos depois, com a perda de parte da hegemonia histórica em razão principalmente do surgimento das igrejas evangélicas pentecostais e do crescimento do número de pessoas sem religião, a Igreja Católica no Brasil incorporou algumas mudanças para aproximar os fiéis e manter a influência eclesiástica na região. “As dinâmicas sociais e culturais estão cada vez mais densas – e tensas – de forma que os processos se dão na forma como os sujeitos portam-se diante das representações teológicas, imaginárias e mágicas de que também é feito o mundo, um mundo em rápida e radical transformação”, resume Geraldo. E até mesmo os eventos de grande participação popular, como os Círios, não escaparam da nova ordenação.

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