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A mão divina mudando vidas

01/10/2011

(Foto: Rogério Uchôa )

Irmã Noemi é um milagre. Com uma saúde frágil, ela venceu as barreiras de vida com muita força, determinação e fé. Até os quatro anos não andava. A mãe clamou a Deus por uma solução e foi atendida.

Esse foi apenas o primeiro de uma série de intervenções divinas na vida da irmã. Já adulta, contabiliza uma marca surpreendente: foi diagnosticada três vezes com câncer. E superou todos eles.

INTERVENÇÕES

Umas das maiores intervenções divinas, diz ela, ocorreu poucas minutos antes da cirurgia para retirada de um tumor na cabeça.

Antes, contudo, ela recebeu um telefonema do pastor Firmino, que orou por ela. Minutos depois secreções começaram a sair de seus ouvidos e nariz e na mesa de cirurgia, o tumor havia desaparecido.

“Com câncer ou sem câncer eu farei o trabalho de Deus”, afirma ao se referir às suas atividades no Lar Cordeirinhos de Deus. É lá que a evangélica auxilia crianças desabrigadas com problemas de saúde ou em situações de risco - além de atuar na coordenação do Coral Infantil da Assembleia de Deus.

CORAÇÕES TOCADOS AO CHAMADO

A igreja da qual a Irmã Noemi faz parte foi fundada em Belém, há exatos 100 anos, pelos suecos Daniel Berg e Guntar Vingre, recém-chegados dos Estados Unidos. Antes deles, porém já havia igrejas de origem protestante na Amazônia, como a Presbiteriana e a Batista, cujas doutrinas foram trazidas por historiadores que visitavam a região em explorações, ainda durante o Império. No final do século XIX, um paramédico da Santa Casa de Misericórdia, Justus Nelson, foi o propulsor da igreja Metodista em Belém. Atuante no movimento pró-república e responsável por um jornal que divulgava os ideais liberais, Justus já estabelecia uma das marcas da religião protestante em todo o mundo: a relação com a política.

A expansão da comunidade evangélica, contudo, só ocorreu nos anos 70, com o crescimento do pentecostalismo. “Era o momento do nacionalismo, na euforia do desenvolvimento econômico. Mas o povo, especialmente os migrantes das áreas rurais, vivia na pobreza. E quando não se resolve do ponto de vista social, busca-se respostas sobrenaturais”, afirma Saulo de Tarso, professor da Universidade do Estado do Pará, doutor em Ciências da Religião e autor do livro “Pentecostais e Neopentecostais na política brasileira”.

Nas últimas décadas, os neopentecostais também ganharam espaço. Principalmente na mídia brasileira. A ênfase é na prosperidade imediata, na solução dos problemas terrenos. “Esse modelo de utilização das mídias modernas, do marketing de produtos, está sendo copiado por muitas igrejas, inclusive as católicas. É a luta por espaço, poder e fiéis”, frisa Tarso.

Pastor auxiliar da 1ª Igreja Presbiteriana de Belém, Ronald Lameira admite as divergências doutrinárias e de comportamento na comunidade evangélica, mas reforça a consciência e responsabilidade de cada um. “Não ficamos em rota de colisão com os nossos irmãos. Cremos que o que Deus tem a nos dar é a verdadeira paz, independente das circunstâncias”, afirma.

Chamado de louco ao deixar um cargo de gerente de produção, e um bom salário, para se dedicar exclusivamente ao pastorado, hoje, aos 42 anos, casado e pai de três filhos, ele se considera realizado. “A vocação ao sagrado ministério é algo tão intenso que você não consegue resistir”. Segundo ele, é essencial que o pastor tenha disposição para seguir os mesmos passos de Jesus: chorar com os que choram, ter capacidade de abrir mão dos seus próprios interesses, amar a Deus sobre todas as coisas, ser marido de uma só mulher e zelar pela sua família.

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