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Livros para conhecer um outro Pará

02/12/2011

(Foto: MAURO ANGELO )

“Perdi muitos anos de conhecimento. Apesar de ser muito jovem, sei que será difícil recuperar, vou ter que triplicar o tempo que passo na companhia deles”, lamenta o jovem Madson da Silva, de apenas 17 anos, sobre ter adquirido tardiamente o hábito da leitura. Ele foi apresentado ao universo das letras durante o 1º ano do ensino médio, até então se detinha apenas aos livros didáticos. “Não fui muito incentivado quando criança. Talvez por isso o interesse ainda pelos infanto-juvenis”, admite.

A leitura de livros, seja qual tipo for, possibilita ampliar o conhecimento em determinada área e também adentrar um universo de sensações. Para muitos é um hobby, faz parte do cotidiano. É o caso da estudante Viviane Portela, 18 anos. A futura médica começou a ler muito cedo. As primeiras frases que balbuciou depois de aprender a soletrar foram de um livro infantil que ganhou da mãe. “Quando sinto o cheiro da capa e folheio as páginas, percebo que nada substitui o prazer de ler um bom livro”, afirmou, ao ser questionada sobre livros on line disponíveis na internet.

Carioca, a garota sente falta da literatura paraense nas escolas. “Conheci algumas obras durante o convênio, por causa das leituras obrigatórias, e fiquei encantada. São verdadeiros recortes do cotidiano da época, retrato fiel de um Pará que pouco se ouve falar. Não podemos deixar isso se perder”, se queixa. Atualmente, Benedicto Monteiro e Dalcídio Jurandir fazem parte de sua estante. Mas, as obras de Ruy Barata e Eneida de Moraes, por exemplo, são ilustres desconhecidas.

Viviane admite sentir dificuldades para encontrar títulos de autores locais em livrarias de Belém. É nesta hora que ela recorre a bibliotecas. “Lá tem coisas incríveis. Fui a algumas e pude entender a magia que cerca os autores paraenses. É a Amazônia, viva, bem ali, em minhas mãos”, completou.

Nem sob os argumentos de amigos que insistentemente tentam incitá-lo a ler, o estudante Robson Damasceno cede. Ele conta que muitos deles dizem que a leitura vai aumentar sua autoconfiança, já que vai permitir que ele domine assuntos que poderão ser discutidos em vários ambientes e que vai ajudar ainda a desenvolver o vocabulário e facilitar a expressão oral e escrita. Em vão, nada o convence. “Sinceramente, eu me canso só de olhar aquele ‘tantão’ de páginas, eu durmo em cima daquilo”, confessa. Porém, o jovem conta que este sentimento é apenas em relação aos livros. Revistas e sites não são tão odiados assim. “Sou da geração y, quero mesmo é twittar, postar no facebook e jogar videogame”, disse.  (Diário do Pará)

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