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Use, use e use de novo

11/07/2014

(Foto: Bruno Carachesti )

Todo mundo já fez isso: deu uma mãozinha para que aquela calça virasse uma bermuda, deu aquela blusa ao irmão mais novo ou à amiga e usou o pote de sorvete como vasilha. Isso é legal e ajuda Belém

Pequenas ações cotidianas podem ser uma forma de reduzir a quantidade de lixo que na maioria das vezes é descartado incorretamente, indo diretamente para o meio ambiente, somando ainda mais prejuízos à natureza e ao homem. São boas alternativas que possibilitam economizar, ajudar a quem necessita e até mesmo de gerar emprego e renda. 

Reutilizar pode até ser um termo incomum. Porém, praticar o reuso é mais simples do que se imagina. É provável que alguma vez na vida já realizamos essa benfeitoria mesmo sem se dar conta disso. Sabe aquele jeans que estava guardado há muito tempo no armário e que foi transformado em uma peça nova? Uma calça que virou bermuda? Essa é uma forma de reutilizar.

Aquele velho objeto que iria parar no lixo ganhou mais tempo de vida útil. “Se eu reutilizo uma vasilha de plástico, deixo de comprar uma nova de matéria-prima virgem extraída da natureza. Eu poupo o planeta e o bolso. Se eu sei que uma marca ‘x’ tem uma embalagem que pode ser reaproveitada, minha preferência de compra será essa marca. Plásticos, latinhas, jornal, caixas de papelão são exemplos que podem ser reutilizados”, lembra a coordenadora da ONG Noolhar, Patrícia Gonçalves.

Quem pratica a reutilização faz mais: exerce um consumo e um pós-consumo consciente e enxerga melhor como o destino de muitas coisas não é necessariamente o lixo. Coisas que para alguns perde a serventia para outros é sinônimo de necessidade. Quem imaginaria que um simples pote de vidro de maionese poderia ser de tão grande valia para um banco de leite, por exemplo? 

“A madeira de um guarda-roupa que iria parar em um canal poderia ser transformada em prateleiras. Temos vários projetos de reutilização de materiais na cidade que podem ser ajudados e pessoas que fazem um artesanato singular com reaproveitamento. Vários abrigos que cuidam de animais que reaproveitam os jornais e artesãos. Temos na Noolhar uma linha de produção somente com reutilização de jornal, com bolsas, mandalas e cestos. Artesãos tiram sua renda de um artesanato que reutiliza materiais”, afirma Patrícia.

ARTE EM TUDO

Natural de Belém do Pará, bacharel e licenciada em geografia pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Ana Claudia Oliveira há quase dez anos participa de um trabalho voltado para reutilização e redução de resíduos sólidos, como papelão, papel e garrafas pet. “Logo que me tornei servidora pública, percebi que a quantidade de papel desperdiçada na escola era muito grande, o que despertou em mim o interesse de elaborar um projeto de educação e conscientização ambiental com os alunos, juntamente com oficinas de artesanato. Assim surgiu o projeto ‘O Que Seria Lixo vira Arte’”, explica.

Ela não tem dimensão de quantos trabalhos já produziu. A única certeza é que o interesse e engajamento em prol da causa ambiental lhe rendeu bons frutos. “Desenvolvi um sabão com óleo de cozinha que é usado na limpeza e faxina da escola. Em 2009, ministrei um curso de educação ambiental em parceria com a Embrapa, que ofereceu toda a estrutura com direito a certificados para um grupo de 20 alunos que tornaram-se multiplicadores e passaram a ministrar oficinas de artesanato no bairro em que moram e em outras localidades”.

A educadora-ambientalista participou ainda do I Encontro Estadual de Com-Vida (Comissão para Qualidade de Vida e Escolas Sustentáveis), o que resultou na implantação de um projeto na escola, o “Com-Vida”. 

“Fizemos diversas atividades, como a produção de peças artesanais em papel, papelão e pet e também sabão com óleo de cozinha coletado pelos alunos nas lanchonetes do bairro, além de produção e desfile de moda pet. Esse projeto foi apresentado no ano passado por uma aluna do 9º ano que representou a escola e o Pará, em Brasília, na Conferência Infanto Juvenil para o Meio Ambiente”, orgulha-se.

NOVAS CABEÇAS

O trabalho que Ana realiza com os alunos é de educação e conscientização ecológica e também geração de renda, pois o que eles aprendem nas oficinas de artesanato posteriormente passa a ser produzido e comercializado. “Trabalhar a educação ambiental na escola é muito importante, pois me ajuda a promover nos jovens o despertar para uma mudança de hábitos em relação ao meio ambiente e às questões do uso e manejo de seus recursos, além de criar novos conceitos e atitudes em relação à qualidade de vida nas cidades por meio do consumo consciente sustentável”, garante.

Iniciativas como a de Ana mostram como pode ser simples adotar um estilo de vida diferente do comum. Porém, todos devemos ter consciência de que somos responsáveis por melhorias para o ambiente em que vivemos. “Como cobrar do gestor público algo que eu não acredito e não pratico? Inicie na sua casa, no bairro, na escola uma atividade de educação. Esta educação inicia com cuidar. Tantas pessoas falam que amam a cidade e jogam lixo na rua. Que amor é este? Ensinamos às nossas crianças que tudo o que está sujo ou não queremos que elas peguem é lixo. Nossa relação de orientação deve ser repensada”, ensina Patrícia Gonçalves.

Para a ambientalista, não existe receita ou cartilhas ditando regras que auxiliem de forma definitiva nossa relação com o que consideramos lixo. “Temos que começar a ter atitudes práticas, levando em consideração nossa cultura, nossos hábitos de consumo e a forma como cada um se relaciona com a sua cidade”.

(Pryscila Soares/Diário do Pará)

 

AGENTE DO BEM

OS MANDAMENTOS DE ANA CLAUDIA

- A professora de Geografia incentiva a reutilização de resíduos na escola;

- Oficinas de artesanato fomentam a conscientização ambiental e o cuidado com o lixo entre os seus alunos;

- O projeto ‘O Que Seria Lixo vira Arte’ aproveita papelão, papel, garrafas pet e até óleo de cozinha;

- O que é reaproveitado pode virar arte, outros produtos e até gerar renda.

 

CUIDE DO LIXO E MUDE SUA CIDADE

Incentivar o maior número de pessoas a debater novas ideias e a se envolver em ações, posturas, comportamentos e atitudes que ajudem a construir cidades melhores - combatendo problemas que estão ao alcance de todos, para além da intervenção do poder público - é o objetivo da campanha Agente do Bem. Engaje-se.

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